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sábado, 22 de julho de 2017

O surpreendente caso dos caquinhos da casa da sua avó

Na memória de quem viveu uma infância divertida entre as décadas de 60, 70 e 80, há uma lembrança emocional forte com relação ao piso de caquinhos da foto abaixo.
Muitos de nós corremos, pulamos, jogamos bola, tomamos banho de mangueira e brincamos de escorregar (às vezes, arrancando a tampa dos dedões do pé - ouch!!!...) nos quintais das casas dos nossos avós (ou dos nossos pais), revestidos por esse clássico da arquitetura nacional.
Eu, particularmente, adoro mosaico e tenho uma memória muito amorosa desse piso (e dos bolos) na casa da minha avó. <3

O que muitos não sabem é que por trás da ideia da instalação do piso de caquinhos, há uma interessante lição de marketing!

Conta a história que, nas décadas de 40 e 50, havia duas grandes indústrias de cerâmica em São Paulo, e que um dos produtos principais (e mais baratos) dessas empresas era a lajota cerâmica quadrada vermelha. Em menores lotes, eram produzidas peças amarelas, brancas e pretas.
Como não havia processos efetivos de controle de qualidade, manuseio e transporte, uma parte relevante da produção se quebrava e, como era considerada sem valor, acabava enterrada em terrenos próximos das fábricas
Nessa época, existiam “lotes operários” de moradia, que eram padronizados de tamanho 10mx30m ou 8mx25m. Portanto, havia área para jardim e quintal. Grande parte do espaço aberto acabava cimentada, pois os operários não tinham dinheiro para revestir os quintais com qualquer tipo de piso.
Mas, certo dia, um empregado de uma das fábricas, que não tinha recursos para cimentar a área externa de sua casa, lembrou-se das peças quebradas e solicitou que pudesse utilizar parte do refugo. A empresa aceitou, já que tinha custos para levar os cacos até os terrenos e enterrá-los. Na verdade, “conta a lenda”, que a fábrica até fez a entrega na casa do funcionário.
Pois eis que o funcionário, ao assentar os caquinhos em seu quintal, utilizou predominantemente as peças vermelhas, mas decidiu também deixar uma ou outra pecinha amarela e preta, pra quebrar a monotonia. Fez o trabalho com muito capricho e a entrada da sua casa ficou lindona.
Os vizinhos (como sole acontecer - rsrs) ficaram interessados pela inovação e também resolveram adotar os cacos de lajota para cobrirem seus quintais e entradas. Do mesmo jeitinho. Predominantemente vermelhos e com detalhes amarelos e pretos.
A direção das fábricas achou tudo ótimo, pois assim reduziam seus custos de descarte do refugo.
A novidade foi se espalhando e ficando conhecida, até tornar-se... MODA! Alguns jornais até mesmo noticiaram o novo estilo paulistano.
O diretor comercial de uma das fábricas vislumbrou uma oportunidade: parou de oferecer os caquinhos de graça e começou a vende-los, por cerca de 30% do valor original das peças. Obviamente, essa decisão foi seguida pela outra empresa.
A demanda não parava de crescer e aconteceu algo inesperado: começou a faltar caquinhos de cerâmica!!! E mais, o seu valor passou a ser tão caro quanto a peça íntegra!
Mas não parou por aí!

A procura continuou aumentando, a ponto de as fábricas decidirem começar a quebrar as peças inteiras, para vender os caquinhos!!!! WOW!

Como consequência, o metro quadrado dos pisos quebrados começou a ser vendido por valores mais caros do que o metro dos pisos inteiros!
Veja só: um produto que não tinha nenhum valor, ou melhor, tinha um valor negativo (custo de descarte), passou a ter um valor neutro (o famoso “zero a zero”), enquanto era vendido pelo custo que gerava, até que, devido ao marketing / percepção de valor das pessoas, o produto começou a custar mais do que a peça original!
O engenheiro Manoel Henrique Campos Botelho contou essa história na revista do Instituto de Engenharia, tratando-o como o “mistério de marketing das lajotas quebradas”. Ele ressalta a importância da estética, afirmando que “o belo é contagiante” e conta que a moda também se expandiu cobrindo muros, lojas e até pisos de fábricas, em diversas cidades do país!
Há quem diga que a produção entrou em colapso pela falta de matéria-prima, um tipo de barro / argila. Outros afirmam que a demanda foi sendo reduzida a partir da construção e deslocamento da classe média para prédios de apartamentos.
Há algumas lições de marketing, empreendedorismo e desenvolvimento pessoal a serem aprendidas nessa história:
- O valor de um produto é diretamente relacionado à percepção de valor pelo potencial cliente, ou seja, o quanto ele deseja e aspira ter aquele bem. Embora óbvio, muita gente ainda forma preços observando apenas seus custos de produção / criação e inclui uma pequena margem / mark up (às vezes, insuficiente para cobrir os demais custos e despesas indiretas! Há que se ter cautela e informações precisas!).
Certamente, é uma forma de enxergar a precificação. No entanto, é necessário cruzar com outros elementos como preço / valor médio do mercado, oferta da concorrência, estratégias de diferenciação e benefícios específicos do produto ou serviço.
- Expor o seu produto / serviço em ação é sempre uma forma positiva de marketing. (Se a entrega for boa, né minha gente!)
- Você pode agregar valor a um produto existente, aplicando-o de uma nova maneira. Buscando novas construções e estrutura estética para velhas peças.
- Cuidado com o olho grande. Crescer demais e deslumbrar-se com a possibilidade de ganhos não pode comprometer a continuidade do negócio, nem ignorar o impacto ambiental e causar esgotamento dos recursos! Há um equilíbrio entre destacar-se, ter rentabilidade saudável para inovar, crescer e ampliar o impacto positivo. (Nos dias atuais, marketing sem consciência não sobrevive. Não se iluda!)
- O que você está oferecendo / produzindo / desenvolvendo é realmente o que as pessoas querem ou precisam comprar? Sua oferta tem mais a ver com o seu ego, ou com o que é necessidade real?
- O que você acha que não é útil e que não tem serventia, talvez possa ajudar alguém (ou muita gente!). Isso inclui o seu conhecimento!
Será que quando você pensa que está um caco, ainda não é matéria-prima para um lindo mosaico?
Que tal desenterrar umas pecinhas e começar a oferecer novas formas de gerar valor? 
Agora aproveita o saudosismo que as fotos te trouxeram e concentra muita energia pra um dia bem produtivo!
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quarta-feira, 19 de julho de 2017

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